quarta-feira, 26 de março de 2008


Não sinto o puro ar, não posso tocar a terra quente e nem enxergar o verde, mas é aqui! Eu sei que é aqui! Minha terra! Ah, e eu me lembro com tanta clareza, cada detalhe, cada sensação. O cheiro da natureza intocada, o aconchego desse clima inocente. Foram vividos apenas momentos felizes aqui, inesquecíveis e singulares momentos felizes. Ah, como fui agraciado por ter este refúgio, este privilégio, este paraíso. Deixe-me aqui, que aqui poderei descansar em paz.
Dormirei o sono eterno ao lado das lembranças que me fizeram ter prazer na vida; embalado pela melodia doce da voz daquela que amei, pelo entusiasmo imaculado da risada de meus filhos. Repousarei tranqüilo com a certeza de que tive pelo menos um amigo fiel. Falecerei por completo sabendo que meu assassino foi punido. No entanto, somente descansarei verdadeiramente por já o ter perdoado.
Não sinto raiva por ter partido. Não estou frustrado, estou aliviado. Morto pude retornar a meu lar, onde sou alguém. Posso agora voltar a ter dignidade, posso agora voltar a ter identidade. Abandonei meu estado latente para voltar a existir. Que ironia, sinto-me estranhamente mais vivo que nunca! Carregarei este contentamento por toda a eternidade.
Pedro, é exatamente como sonhei. Gracias mi amigo!

Um comentário:

Phillip disse...

prefiro o calor do Sol :)