quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Dona Buraco-Negro e sua vida social limitada

Dona Buraco-Negro não conhecia ninguém
Nem pessoas, nem outros seres.
Tudo que dela se aproximava sumia
Ficou ao Universo, portanto, aquém.

Dona Buraco-Negro não conhecia a imaginação
Não sabia das cores
Das formas, também não.

Dona Buraco-Negro conformou-se com o nada
Seu único amigo
Primeiro e último inimigo.

O Homem-Rabisco

A vida do Homem-Rabisco
Foi mais curta que a de uma mosca
E foi ainda menos significante
Que a de uma aranha tosca.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Um inconveniente

Quebrando o silêncio – que havia se tornado um alívio para este casamento – ela sussurra, quase que gemendo:
- Ai Geraldo...
- Que é?
- A bolsa...
- Que bolsa?
- A minha bolsa...
- Esqueceu de novo! Bem oportuno, não?
- Não, idiota! Minha bolsa estourou! A criança... vai sair!
- Puta que pariu! Mas já?
- Escuta aqui seu imbecil, como é que eu ia adivinhar?
- Adivinhar... mulher sente essas coisas!
- Mas tá muito cedo, eu não imaginei que fosse...
- Não imaginou? Não podia era deixar passar um jantarzinho às minhas custas! Mas é bem feito! Bem fei-to! Agora vai ficar só no gostinho, nem isso, só na imaginação do gostinho! Mulher burra!
- Seu miserável! Eu nunca penso em dinheiro! Nunca! Muito menos em comida! Eu não ligo pra essas coisas!
- Ahá! Meu benzinho, a tua vida gira em torno de dinheiro e comida. Apesar de que... nos últimos tempos tás visivelmente mais voltada pra comida!
- Eu tô grávida, babaca! É natural que eu esteja um pouco cheinha...
- Cheinha? Hahahaha!! Engordou uns 50kg e tá cheinha?
- É a criança, seu animal! É o peso da criança!
- Vais ser mãe de um elefante então!
Um garçom aproxima-se da mesa carregando duas dúzias de ostras em uma bandeja.
- Desculpa, amigo, mas a gente vai deixar pra próxima. Minha mulher aqui resolveu ter o filho antes do tempo!
- Seu monstro! – ela hesita por um instante – Dá pra embrulhar pra viagem?

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Frenesi


Olhares discretos e incessantes toques cuidadosos.
Pernas encostadas e constantes arrepios por todo o corpo.
Fusão dos perfumes.
Intensa e quase incontrolável atração.
Certeza.
Álibis originais.
Complexo de perseguição.
Dúvida.
Puro sexo!!
Amor verdadeiro (?)
Tensão.
Tesão (!)
Um cigarro entre os dedos e um copo de dose tocando os lábios.
Mais um toque por baixo da mesa.
Um sorriso nervoso.
Outro ansioso.
Nulidade de palavras.
Mãos entrelaçadas como microcorpos.
Respiração insinuante.
Agonia.
Impaciência.
Convites simultâneos.
A conta, por favor.
...

Pura satisfação em saber que é proibido.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Uma risada


Vou tentar o número com as garrafas agora, só espero que faça mais sucesso do que nas noites passadas... É a parte mais elaborada do meu repertório, não pode dar errado... Mas já deu! Só que hoje vai ser diferente. Ah vai, mal comecei e já estou vendo uns sorrisinhos esboçados! Mas... O garoto não está olhando para mim, do que está rindo então? O que foi garoto? Tem mais algum palhaço aqui? É o careca do teu pai que está fazendo gracinha? Ah, é claro... O cara do algodão-doce. Come pirralho, come. Vai ficar obeso igual ao pai...


Cara de velho, corpo de velho, dor de velho... Quarenta e sete anos e me sinto com oitenta. Dizem que com a idade vai-se ficando mais interessante... Se minha careca não refletisse toda a tenda do picadeiro, eu até que teria meu charme.

Ai risadinhas, risadinhas e gargalhadas! Tão ausentes quando preciso e tão insistentes quando as desprezo. Se ainda estivesse cuidando dos elefantes, não estaria assim frustrado. Frustrado... Quem é o culpado por essa minha frustração? Eu? Eles? Aqueles? Outros? Sempre funcionou! Sempre! Meu show, há três décadas, vem sendo o mais aclamado. Quero dizer, vinha... As crianças divertiam-se já nas primeiras mímicas, olhavam curiosas para a minha fantasia querendo descobrir cada detalhe, apertavam meu nariz assustando-se ao sentir que era de plástico, perguntavam-me por que meus sapatos eram tão grandes e meus cabelos tão coloridos, riam com gosto quando apertavam a flor no meu paletó e se surpreendiam com o esguicho d’água que dela saía... Acabou?


“Fredo, Fredo! Tu fazes a platéia rir meu caro, ou pelo menos deverias... O que anda acontecendo? Algum problema? Precisas de um tempo?” Ora, se eu preciso de um tempo? Dediquei todas as noites, dos meus últimos trinta anos, ao circo. Se eu quero um descanso? Não terei minha juventude de volta, para aproveitá-la sem um grande nariz vermelho na cara, descansando... O que é isso? Que estou pensando? Eu amo o que faço. É o que me faz viver. “Não Pepe, não. Estou bem. Há de ser apenas um pouco de má sorte!” Como é hipócrita esse Pepe! ‘Algum problema?’ Se eu estivesse ajudando no lucro do circo, não haveria tal pergunta. Mas quem é que vai ligar pro palhaço? A figura risonha, de constante bom humor... O desajeitado. Patético. Flácido. Coitado. O filho, sem talentos, dos grandes astros do circo.

“O Fredo limpa cocô de elefante porque não consegue voar no trapézio! Tu sabes fazer alguma coisa, Fredo? Qualquer coisinha...” A solução era rir pra não chorar, ou melhor, fazer rir para não cair em depressão – ao menos não publicamente.


Cadê? Onde é que está aquela sensação? Parece que estou em um lugar completamente aquém ao meu picadeiro. Que expressões frias, olhares que me incriminam. Não estou fazendo algo de errado, acho até que estou fazendo nada! Que rostos vazios! Que imagem embaçada, que platéia ofuscada por... Não sei por quê... Que escuro...

“Fredo! Fred, Fred... Que susto! Estás melhor? Deve ter sido algo que comeste, meu bem. Logo estarás novinho em folha! Descansa, meu bem.” Ah, Madame Liz... Quem dera ter sido algo que comi. Se fosse, eu vomitaria, e me encheria de novas gargalhadas. “Obrigado Lili, mas acho que preciso andar um pouco.”

Um, dois, três, quatro e então a cambalhota... “Haha... Hahaha... Haha” O quê? Cinco, seis, sete, oito... Ah, de que adianta? A graça é justamente a improvisação. Algo com os lenços, assim... “HAHAHA... HAHA!” Quem? “Ora, que fazes aí moleque?” Atrevido, rindo da minha cara! “Estava divertindo-me com tuas palhaçadas, Fredo! Hahaha!” “Pois bem, sente-se aqui. Há muito mais de onde essas vieram!”


Estes rostos trêmulos, inquietos. Agitados por risos incessantes!

sexta-feira, 28 de março de 2008



No âmbito da tristeza
descobrem-se esporádicos pólos de alegria,
ambigüidade da vida,
contradição do ser.

quarta-feira, 26 de março de 2008


Não sinto o puro ar, não posso tocar a terra quente e nem enxergar o verde, mas é aqui! Eu sei que é aqui! Minha terra! Ah, e eu me lembro com tanta clareza, cada detalhe, cada sensação. O cheiro da natureza intocada, o aconchego desse clima inocente. Foram vividos apenas momentos felizes aqui, inesquecíveis e singulares momentos felizes. Ah, como fui agraciado por ter este refúgio, este privilégio, este paraíso. Deixe-me aqui, que aqui poderei descansar em paz.
Dormirei o sono eterno ao lado das lembranças que me fizeram ter prazer na vida; embalado pela melodia doce da voz daquela que amei, pelo entusiasmo imaculado da risada de meus filhos. Repousarei tranqüilo com a certeza de que tive pelo menos um amigo fiel. Falecerei por completo sabendo que meu assassino foi punido. No entanto, somente descansarei verdadeiramente por já o ter perdoado.
Não sinto raiva por ter partido. Não estou frustrado, estou aliviado. Morto pude retornar a meu lar, onde sou alguém. Posso agora voltar a ter dignidade, posso agora voltar a ter identidade. Abandonei meu estado latente para voltar a existir. Que ironia, sinto-me estranhamente mais vivo que nunca! Carregarei este contentamento por toda a eternidade.
Pedro, é exatamente como sonhei. Gracias mi amigo!

Vício




Eu juro, e desta vez escrevo para que não possa mais descumprir esta promessa, juro que nunca voltarei a repetir tal coisa. Insisto na "regra": nunca diga nunca; no entanto toda regra tem sua exceção, e neste caso a regra é a própria exceção. Apesar deste "nunca" muitas vezes encaixar-se como martírio em minha vida, é imprescindível. Como uma sombra, o "nunca", a que suplico redenção, me persegue e me impede - muitas vezes - de cometer o mesmo erro. Mas ele não é forte o suficiente, não é páreo para a teimosia do vício que assola minha mente; imagino que uma vez mais não fará mal, penso que poderei apagar aquele momento, deliro ao achar que por estar sozinha posso fingir que não aconteceu... E é o mesmo ritual, a mesma dor, o mesmo arrependimento. A mesma promessa. Mas desta vez é diferente, hoje sinto que conseguirei!
É mentira. Engano-me para mostrar-me, aos olhos alheios, uma pessoa de fibra... Que piada! A seca verdade é que preciso de ajuda! Preciso de ajuda, tenho plena consciência disso. Preciso de ajuda! Preciso de ajuda e não a peço. Tenho vergonha. Vergonha e orgulho. Mas, acima de tudo, tenho fé. Fé em mim e na parte ainda lúcida de minha psique. Já abandonei essa doença uma vez e pretendo abandoná-la novamente - e para sempre.

sábado, 15 de março de 2008

moi


eu não sei jogar truco. não gosto de futebol, mas amo o flamengo. não assisto a novelas, big brother ou programas de auditório. assisto ao simpsons. assisto a qualquer gênero de filme, mas confesso que tenho preconceito contra os enlatados hollywoodianos. amo as artes literárias, cênicas e plásticas. amo a música erudita. amo a filosofia - ocidental e oriental. não gosto de pessoas efusivas. sou muito mais simpática ébria - muito mais inconveniente também. demoro a confiar nas pessoas. são raras as que sabem um verdadeiro segredo meu. adoro ficar solteira, mas amo me apaixonar. tendo a mergulhar de cabeça em relacionamentos e por isso já fui muito magoada. já fui muito errante - menti, traí, briguei e ri do que não devia. mas mudei. já quase me desvirtuei. já quase me tornei completamente alienada. mas mudei. já usei drogas ilícitas. hoje usufruo apenas as lícitas. acho o greenpeace pacífico demais, sou a favor do seashepherd. acho o capitão nascimento um assassino. sou a favor da legalização de todo tipo de droga. não acredito no comunismo, pois o homem é, e sempre será, corruptível. sou socialista. jamais deixarei de dançar, pois não danço somente com meu físico. sonho muito - exageradamente. quero viajar, ver com meus próprios olhos o que me contaram os livros. quero ser feliz. quero ter minha arte reconhecida. minha utopia é morrer realizada.

como murcham as rosas


Ela esfregou o rosto arranhando a parte inferior dos olhos com suas longas unhas. A tinta preta, que antes enconbria seus cílios, permaneceu estampada na pálida pele. Retirou do largo bolso de seda o estojinho francês; percebeu a mancha, ao mirar-se no espelhinho, e homogeneizou a branca pele com o pó-de-arroz. Corou artificialmente sua magra maçã do rosto ganhando a aparência tétrica de uma falsa boneca de porcelana. Preencheu de vermelho seus finos lábios assemelhando-se a uma prostituta barata. Fez de seus ossudos dedos um pente tentando alisar o cabelo.

Cada parte de seu rosto, agora, condizia com a ausência de vida em seus olhos; formou-se uma máscara. Escondida atrás daquela nova fisionomia sentiu-se encorajada. O delicado roupão escorregou por seu esguio corpo e, não por despudor, mas por sentir-se a um passo da liberdade eterna, deixou-se despir sem vergonha alguma.

Derramou duas lágrimas apenas. A primeira contornou rapidamente o irregular nariz até parar intensificando o brilho do batom - um brilho contraditório, que destoava daquele fúnebre rosto -, a última projetou-se vagarosa e pesadamente, como se cheia de culpa, pelo outro canto do olho. Somente o olho esquerdo havia chorado.

A ambigüidade em seu coração dissipara-se, qualquer lapso de agonia era agora transformado em alívio. Não havia mais dúvidas, não havia mais martírio. O olhar morto encheu-se de esperança. Ela buscou seu destino e o encontrou já no primeiro passo.

Estava livre antes que a corda lhe tirasse a vida.

sexta-feira, 14 de março de 2008

let it rain


"last night i had a dream that there would be a morning after

long days, sunshine, and peace

long nights of love, forgiveness, and laughter

maybe it was just a dream but it could be reality

children are like planting seeds, you've got to let their flowers grow

don't you know


fá che piova,

fá che il cielo mi lave il dolor

fá che piova

che sia la pace il nome d'amor"

It's done! Terminei o colégio. Consegui entrar na Universidade Federal. A princípio, o alívio conseqüente destas minhas conquistas ofuscou por completo a saudade que agora sinto daqueles que passaram, ao meu lado, quase a metade de suas vidas. Penso, contudo, se essa saudade não seria um sentimento hipócrita, pois ao longo desses anos - e principalmente neste último - não acho que tenha feito mais de cinco verdadeiras amizades. Pode até ser um sentimento sincero, este meu, no entanto é um pouco egoísta. Por quê? Pura e simplesmente pelo fato de eu nunca ter me dado ao trabalho de iniciar amizades. E, agora, teria eu o direito de sentir falta dos meus colegas de classe? Não querendo vangloriar-me, mas já o fazendo, este meu caráter um pouco anti-social pode ter sido uma expressão solidária de minha parte; assim sendo, eu estaria, na verdade, protegendo meus possíveis eternos amigos de descobrirem as confusões inenarráveis do lado obscuro de minha psíque... A exemplo deste encaixa-se o texto acima!

Minha agonia, e concomitantemente meu maior prazer, é ter a certeza do quão incerto é meu futuro. Oscilo entre a calma e a euforia; como um maníaco depressivo, passo de determinada à desolada, posto que o meu estado de alienação perante o tempo que está por vir não se decide entre causar-me completo pânico ou enorme tranqüilidade. Não consigo, ao menos, estruturar a hipótese de que meus sonhos podem perdurar para sempre, sem nunca sentirem o gostinho da realidade. Penso, no entanto, que, em parte, isto se deve à incomensurável quantidade de sonhos que possuo; sendo assim, posso dar-me a certeza de que, pelo menos, um terço deles passarão de projetos a realizações, e se não passarem... Bom, aí tentarei realizar os outros dois terços!



"...on me dit que nos vies ne valent pas grand chose, elles passent en un instant comme fanent les roses, on me dit que le destin se moque bien de nous, que de nos chagrins il s'en fait de manteaux..."

Gnothi seauton.




Para que tanta pose? Que medo é esse de viver, ou de ser visto vivendo? Que mania absurda de restringir a própria mente aos lixos anunciados na televisão. Não seja ignorante, não faça parte desta espiral do silêncio que se alastra como uma peste por toda a humanidade. Grite! Não pense que não serás ouvido. Não pense na sociedade burguesa e nos seus preconceitos. Imponha as tuas idéias. Não se deixe abalar por um falso julgamento. Ninguém pode julgar a tua forma de pensar. Liberte-se desta inércia que te sufoca. Não é feio fazer parte da minoria. Não é feio ter opinião própria. Chega de querer ser um outro alguém. Largue esta pseudopersona que vende uma imagem distorcida do real. Não se desvirtue.

Não sabes do que falo? Viva, pois, em teu universo lacrado. Se não agüentas enxergar toda esta miséria, toda esta injustiça, não mereces meu incentivo. Oui, chérie, podes até fingir viver em paz, mas nem que te disponhas à limitação do mundinho mais ignorante ficarás longe da realidade. E a realidade, mon amour, é suja e fétida.

Por que chorar? Extravasar sentimentos para onde? Para outro alguém? Contaminar o próximo com minhas lamúrias? Para que demonstrar minha infelicidade? Não se deve abrir o coração tão explicitamente. O que será que o outro pensaria? Riria ele no seu íntimo? Pena seria seu sentimento mor? Qual a necessidade de ser motivo de pena alheia??? Meus segredos, mágoas, ou súbitas alegrias são apenas confessados a esta página. Ser inanimado e assim desprovido de qualquer sentimento pelo qual eu poderia criar angustiada curiosidade.


Descendo lentamente, e esperando o alívio que planejara sentir, deparou-se com o verde dos olhos dela em sua mente. Um verde agora em tom escuro, um olhar agora sem brilho. A nitidez daquele pensamento causou-lhe arrepios. Sabia que ninguém a escutava, no entanto não compreendia por que suas súplicas desesperadas ainda ecoavam em sua cabeça. Ainda que lutasse para acreditar ser merecido o fim que a aguardava, a certeza de que nunca mais diria bom dia a seu anjo roubava-lhe qualquer esperança de alívio. Ao projetar a imagem daqueles olhos fechando-se para sempre, a dor que lhe invadiu o coração, tão intensa, tirou-lhe a força do corpo. Ricardo foi ao chão como se o tivessem nocauteado.
- Minha querida... – balbuciou ao esfregar os braços desejando retirar o arrependimento que agora o envolvia.
Em meio a lágrimas cogitou a hipótese de resgatá-la... “Não!” O lapso de coerência foi logo abafado pelo mesmo sentimento obsessivo que o levou a trancá-la junto aos mortos. Raquel voltaria para os braços do outro. Preferia entregar sua amada à morte a passar o resto de seus dias sabendo que há outro fazendo-a sorrir.
Respirando a poeira que se desprendia da lama seca daquela ladeira avistou estilhaços de uma garrafa no chão. Pensou serem muito convenientes aqueles cacos de vidro ao perceber que seria incapaz de viver sem a imensidão daqueles olhos verdes. Agarrando o pedaço mais afiado mirou o infinito do céu - as rugas haviam voltado - almejando alguém que pudesse perdoar seus pecados.
Olhando para seu último pôr-do-sol, Ricardo rasgou a própria garganta.

DEUS?


O que é Deus?? Fruto da imaginação humana? Consolo criado com o intuito de aliviar a agonia da incerteza sobre a vida após a morte? Figura usada para a aplicação indireta de ordens aos seres humanos? para a imposição da vontade da elite sobre a ingênua classe de ignorantes crentes? Céu, lugar para os puros, bondosos e solidários. Inferno, local para os pecadores, aqueles condenados por terem buscado novas respostas. Qual adjetivo aplica-se àquele que é enviado ao Limbo? ou ao Purgatório? Imaginário mundo espiritual acolhedor da fé e solvente da curiosidade.