domingo, 10 de maio de 2009

A dependência é o pior dos castigos. Receio carregar esse fardo até o fim de minha vida. A dependência do desejo de ser livre. Almejo o dia em que me sentirei finalmente fora de um mundo ao qual nunca pertenci, e amaldiçôo todas as noites em que não consigo derramar uma lágrima para exprimir minha agonia.
Malditos aqueles que insistem em solucionar minha mente conturbada. Maldita essa vontade de atingir metas para encontrar uma felicidade que talvez seja inexistente. Essa esperança inútil de alcançar o que é provavelmente impossível.
Vivo de sonhos. Perambulo na mente de um Borges que ri daquele que tenta criar o ser humano ideal, que faz miséria da nossa concepção do perfeito. Que impede o fogo de queimar nossos defeitos, nossa imaginação.
A menina, coitadinha, pobrezinha ela que insiste em traçar objetivos sonhando em ser, simplesmente ser. Tornar-se algo que trará realidade a sua vida. Mas ela não sabe de nada.
Como posso ter algo que nem sei o que é? Como satisfazer o desejo da satisfação? Libertar-me daquilo que busco acreditar ser supérfluo.
Sou aquele que descobriu em ruínas ser apenas o pensamento de outro homem. Sou aquela que em devaneios se descobre parte do todo. Sou o que não sou porque o desejo ser.
O que cruza meu corpo retorcido é uma enxurrada de sentimentos, não sei se dignos, que distorcem minha alma também torta e cada vez mais errônea.

Meu corpo e mente agora suplicam para que eu supra a ambição de ter os dois opostos, o implícito e o explícito. Uma vida dupla, ambígua e contraditória é o que desejo, então? Penso que só acompanhada do positivo e do negativo conseguiria largar essa inconstância que me atormenta. Equívoco meu, não iria largá-la, mas sim aceitá-la como parte do que sou.
Ter a essência da indecisão pode não ser ruim. Afinal, quem pode afirmar que carrega a certeza absoluta dentro de si?