Quebrando o silêncio – que havia se tornado um alívio para este casamento – ela sussurra, quase que gemendo:
- Ai Geraldo...
- Que é?
- A bolsa...
- Que bolsa?
- A minha bolsa...
- Esqueceu de novo! Bem oportuno, não?
- Não, idiota! Minha bolsa estourou! A criança... vai sair!
- Puta que pariu! Mas já?
- Escuta aqui seu imbecil, como é que eu ia adivinhar?
- Adivinhar... mulher sente essas coisas!
- Mas tá muito cedo, eu não imaginei que fosse...
- Não imaginou? Não podia era deixar passar um jantarzinho às minhas custas! Mas é bem feito! Bem fei-to! Agora vai ficar só no gostinho, nem isso, só na imaginação do gostinho! Mulher burra!
- Seu miserável! Eu nunca penso em dinheiro! Nunca! Muito menos em comida! Eu não ligo pra essas coisas!
- Ahá! Meu benzinho, a tua vida gira em torno de dinheiro e comida. Apesar de que... nos últimos tempos tás visivelmente mais voltada pra comida!
- Eu tô grávida, babaca! É natural que eu esteja um pouco cheinha...
- Cheinha? Hahahaha!! Engordou uns 50kg e tá cheinha?
- É a criança, seu animal! É o peso da criança!
- Vais ser mãe de um elefante então!
Um garçom aproxima-se da mesa carregando duas dúzias de ostras em uma bandeja.
- Desculpa, amigo, mas a gente vai deixar pra próxima. Minha mulher aqui resolveu ter o filho antes do tempo!
- Seu monstro! – ela hesita por um instante – Dá pra embrulhar pra viagem?
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
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